Por Gabriel Mansur

Em tempos tão difíceis, as Olimpíadas de Tóquio deram aquele auê maravilhoso nas redes sociais dos brasileiros.

Algumas das cenas mais bacanas de se observar foram as das atletas que competiram no skate, nas modalidades street e park, as quais também chamaram atenção por serem extremamente jovens.

No street, a brasileira Rayssa Leal, conhecida como Fadinha, tem apenas 13 anos e se tornou a pessoa mais jovem a conquistar uma medalha pelo Brasil, ao levar a prata. O que você fazia com 13 anos além de comer areia???

Além de Rayssa, o pódio foi dividido pelas japonesas Momiji Nishiya (ouro), também de 13 anos, e Funa Nakayama, de 16 anos (bronze). Todas menores de idade. Não podem nem dirigir, mas andar de skate sabem que é uma belezura.

Foi o pódio mais jovem da Olimpíada, totalizando 42 anos entre as atletas, ao somar a idade das três. O park não ficou muito atrás, tornando-se o segundo pódio mais jovem dos jogos.

As japonesas Sakura Yosozumi, de 19 anos (ouro) e Cocona Hiraki, de 12 anos (prata), além da britânica Sky Brown, de 13 anos (bronze), totalizaram 44 anos com a soma de suas idades.

Cocona, inclusive, foi a medalhista mais jovem desta edição, entre homens e mulheres. O que chamou mais atenção, porém, foi a alegria das meninas, a paixão pelo skate e o espírito de equipe entre as participantes.

Embora rivais, torciam umas pelas outras. Rayssa, por exemplo, repercutiu com uma dancinha descontraída enquanto aguardava sua vez. Parecia até uma criança se divertindo. Até porque adivinha??? Ela é uma criança.

Nota-se que as atletas supracitadas têm algo em comum: todas fazem parte da mesma geração, a Z.

Só para contextualizar: os grupos etários, também conhecidos como Gerações, como já falamos aqui na New, apresentam valores, necessidades e padrões de comportamento semelhantes.

Esses grupos formam uma subcultura que pode conter importantes segmentos de mercado, afinal, cada grupo etário sofreu grandes influências e foi marcado por fatos históricos, tecnologia, valores, atitudes e predisposições de uma época.

As gerações são divididas da seguinte forma:

  • Baby Boomers: são pessoas nascidas no período após a Segunda Guerra Mundial, de 1946 a 1963 (algumas literaturas falam que é até 1964).
  • Geração X: nascidos entre 1964 (algumas literaturas falam que é a partir de 1965) e 1979
  • Geração Y (Millenials): composta por pessoas nascidas entre 1980 e 2000. Alguns autores também alegam que a geração Y nasceu entre 1980 e 1995.
  • Geração Z: nascidos de 1995 até 2010, ou de até 2000 até 2010.
  • Geração Alpha: nascidos pós 2010, ainda crianças e pré-adolescentes.

Os Z-lenials, ou nativos digitais, estão cada vez mais “on fire” no mercado de trabalho e como shoppers (compradores. As gerações anteriores devem estar antenadas na maneira com a qual trabalham com esses jovens, bem como tornam as suas marcas mais atrativas aos seus olhos.

A Geração Z, em sua maioria, foca apenas naquilo que realmente lhe interessa: se eles não veem motivo e importância para fazer algo, eles não vão fazer.

Por isso, é preciso vender muito bem a ideia para que eles possam executá-la, afinal, se não encontrarem um sentido, não vão realizar a tarefa. Precisam entender o porquê das coisas.

Isso também serve para as marcas que trabalham com essa geração: eles necessitam entender qual é o propósito daquela marca. E nem adianta mentir, pois a criançada é sagaz.

São críticos, questionadores e vão atrás da informação (quando esta é de seu interesse). Se uma marca os desagrada, eles sabem dizer não: são transparentes e odeiam “politicagem”, como a Geração Baby Boomer, por exemplo.

Os jovens dessa geração gostam de viver e mostrar aquilo que de fato são. Fadinha, ao retornar a Imperatriz, no Maranhão, recusou-se a posar ao lado de políticos de sua cidade.

Quando ela precisou de patrocínio e auxílio da secretaria de esportes do município, solicitados pelo seu pai, não obteve ajuda. E eles esperam essa mesma atitude transparente das marcas.

A verdade é que a molecada valoriza as experiências em suas vidas. Em entrevista para o Globo Esporte, após a conquista da prata nas Olimpíadas, Rayssa afirmou: “eu só me diverti, é o que eu mais sei fazer”.

Para se conectarem com a Geração Z, além de engajadas em causas sensíveis, que podem mudar o mundo, as marcas precisam ser divertidas e tornar a vida mais leve. Experiência de compra também é algo que deve ser levado em conta.

Os Z-lenials não querem marcas perfeitas: preferem que sejam verdadeiras e que se mostrem genuinamente “gente como a gente”, trabalhando com causas sociais e ambientais.

Marcas que debatem pautas importantes, como diversidade, desmatamento, aquecimento global, desigualdade social, racismo e machismo. Marcas que não tenham medo de expor suas vulnerabilidades.

Errar, assumir que errou e fazer algo que minimize o erro: são de marcas assim que a os Z gostam de consumir e trabalhar. O famoso conceito de antifrágil: ter a humildade de assumir os erros e buscar melhorá-los.

Por qual motivo os Z-lenials são assim? Essa geração é muito marcada por mudanças políticas, sociais e tecnológicas que influenciaram e alteraram as suas crenças e formas de viver.

Sempre conheceram um mundo instável e estão acostumados à turbulência que os rodeia.  Além do mais, a geração Z também gosta de viver o “agora” e as suas necessidades têm que ser satisfeitas de imediato.

Portanto, cabe às marcas atuarem em múltiplos canais para satisfazerem suas necessidades, além de terem um canal de comunicação rápido e aberto com esses indivíduos.

Os Z-lenials são jovens ativos, multifacetados, conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo. É uma geração empreendedora e inovadora, que procura deixar a sua marca pessoal em tudo que faz.

A Fadinha, entre uma pausa e outra nas manobras, fazia conteúdo para o TikTok, inclusive com sua amiga e rival nas pistas, Margielyn Didal, filipina que fez muito sucesso na categoria street. Portanto, as marcas precisam ser autênticas.

Por se conectarem muito cedo nas redes e se comunicarem com pessoas do mundo inteiro, os Z têm mais facilidade de trabalhar em equipe e com diversidade do que as gerações anteriores.

Essa geração está habituada a se comunicar por vídeos e imagens (vide o TikTok), reduzindo o número de palavras utilizadas, em que o segredo é simplificar a forma da comunicação.

Como são nativos digitais, essa meninada está acostumada a expor um pouco mais da sua vida nas mídias sociais. Marcas que trabalham com a Geração Z: tentem se inteirar do formato e linguagem dessas mídias.

O skate fez com que o mundo admirasse a juventude, tanto por seu jeito divertido e leve quanto pela consciência de mundo e sinceridade.

A lição que esse esporte e seus atletas deixam às marcas e empresas é que estas precisam ter um propósito autêntico, sendo sensíveis às causas que abalam o mundo, fazendo a diferença para tornar o planeta num lugar melhor.

E não importa se, no meio do caminho, essa marca errar, afinal, errar é humano, mas ela precisa assumir seus erros e tomar atitudes rápidas que os minimizem ou os contornem.

As marcas não devem ter medo de se expor virtualmente e devem ficar atentas às novas formas de se comunicar prontamente nas mídias sociais.

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