Por Gabriel Mansur

Sabe que dia é hoje? É dia de maratonar peppa pig na TV e brincar de boneca com seus filhos. Hoje é a tão esperada volta que as crianças ansiavam há mais de seis meses.

Que volta é essa? Não se façam… Vai dizer que não lembra daquele dia que seu bebê pediu um boneco gigante do Capitão América e ouviu aquele famoso “na volta a gente compra” como resposta? Tudo que vai, volta! E a VOLTA é hoje.

12 de outubro. Conhecido nacionalmente como “Dia das Crianças” desde 1924. Atrás apenas do Natal e Dia das Mães, o Dia das Crianças é uma das datas comemorativas que mais movimentam o comércio brasileiro.

A origem da festividade

Em 1923, a cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, sediou o 3º Congresso Sul-Americano da Criança.

No ano seguinte, aproveitando a recente realização do evento, o deputado federal Galdino do Valle Filho elaborou o projeto de lei que estabelecia essa nova data comemorativa.

No dia 5 de novembro de 1924, o decreto nº 4867 instituiu 12 de outubro como data oficial para comemoração do Dia das Crianças. Entretanto, a data não se tornou uma unanimidade imediata. Até que o marketing entrou na parada…

A consolidação do Dia das Crianças

A data começou a ser celebrada somente em 1955, a partir de uma campanha de marketing elaborada por uma indústria de brinquedos chamada Estrela.

Primeiramente, Eber Alfred Goldberg, diretor comercial da empresa, lançou a chamada “Semana do Bebê Robusto”. O sucesso da campanha logo atraiu a atenção de outros empresários ligados à indústria de brinquedos.

Com isso, lançaram uma campanha publicitária promovendo a “Semana da Criança” com o objetivo de alavancar as vendas. Os bons resultados fizeram esse grupo de empresários revitalizar a comemoração do “12 de outubro”.

Dessa forma, o Dia das Crianças passou a incorporar o calendário de datas comemorativas do país.

Os cuidados que devemos tomar ao criar campanhas

Mesmo que você tenha que ser extremamente criativo e livre na hora de criar campanhas de Dia das Crianças, não dá para esquecer da responsabilidade ao lidar com esse público, extremamente aberto à sugestões.

Não é legal criar anúncios que convençam crianças a comprar um produto ou que sugestionam que ela seria melhor que seus colegas se tivesse determinado brinquedo. Além de não ser ético, pode te dar problemas judiciais.

O Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar) coloca uma série de restrições no marketing para o público infantil que você tem que ficar de olho para não ter dor de cabeça.

Vamos elencar os pontos mais importantes abaixo:
  • Em 2013, o Conar proibiu o merchandising em programas voltados para crianças. Além disso, a regulação também vetou o uso de personagens infantis para atrair a atenção. Ou seja: nada de usar a Peppa Pig para anunciar algum produto;
  • É expressamente proibido o uso de linguagem imperativa, como “compre”, “use”, “seja”. Isso pode ser bastante prejudicial para um público que ainda não tem opiniões formadas sobre a importância da tomada de decisão;
  • Já em 2006, a preocupação com a obesidade infantil também entrou na lista. No estado de São Paulo, são proibidos quaisquer comerciais que divulguem bebidas ou comidas de baixo valor nutritivo para crianças.
  • Não pode mostrar crianças e adolescentes em situações perigosas, ilegais ou condenáveis, pois pode influenciar um comportamento ruim;
  • É proibido estimular o consumismo, ou seja, a ideia de que a criança pode ser superior às outras por ter posse de determinado produto;
  • Não é permitido promover a “deseducação”. Em outras palavras: estimular preconceitos, desrespeito à família ou à escola e menosprezar o meio ambiente, entre outras atitudes incorretas.
A importância da segmentação de acordo com a faixa etária do público

É obrigatório respeitar as normas estabelecidas para a criação de campanhas voltadas para o público infantil. Do contrário, a marca corre o risco de ser multada, além de ter a sua credibilidade questionada no mercado.

Mais do que adequar-se à faixa etária, é preciso mergulhar de cabeça nas características da infância. É necessário levar em consideração a criatividade, imaginação, alegria e brincadeiras que fazem parte desse mundo.

Também é crucial utilizar uma linguagem acessível para a gurizada. Vale ressaltar que, embora os produtos ou serviços sejam voltados para as crianças, quem toma a decisão de compra são os pais ou responsáveis.

Um estudo feito pelo Instituto QualiBest aponta que 64% dos pequenos pedem para os adultos comprarem algo que desejam, como brinquedos. Por isso, é importante que a família seja colocada no enredo da campanha publicitária.

Além de falar diretamente com a molecada, também é recomendado imprimir uma mensagem tocante para os adultos, que consiga envolvê-los em todo esse contexto mágico do Dia das Crianças.

Mesmo as empresas que oferecem produtos para adultos, passaram a criar campanhas específicas para o evento. Usa-se uma linguagem adulta, mas que remete às experiências infantis, provocando um sentimento nostálgico.

Desse modo, é essencial que as marcas atentem para essa data e invistam na campanha de Dia das Crianças, independentemente do segmento em que atuam.

Afinal, mesmo que a empresa não venda produtos infantis, o evento é uma excelente oportunidade para cativar as pessoas a partir de gatilhos emocionais e gerar identificação.

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