Por Gabriel Mansur

“O não posicionamento de jogadores de futebol é uma instituição tão sólida que quando um jogador simplesmente não se posiciona sobre seu não posicionamento, isso é interpretado como um puta posicionamento”.

A frase é do roteirista do Choque de Cultura, Daniel Furlan, após entrevista do volante da seleção brasileira, Casemiro, a respeito da polêmica Copa América no Brasil.

Na época, a CBF, junto da Conmebol, decidiu realizar a competição no Brasil, após veto do governo colambiano, onde o torneio sul-americano seria disputado inicialmente. O país tupiniquim estava em fase laranja da Covid-19.

Casemiro, então, disse: “nosso posicionamento todo mundo sabe”, dando a entender que a delegação canarinha era contra. Mas, como de costume, ele não se pronunciou de fato. Qual era de fato a sua opinião? A dúvida ficou no ar.

A verdade é que o Brasil está bastante polarizado tanto política quanto ideologicamente. Começou em 2014, com a reeleição de Dilma Rousseff, depois com o impeachment e, claro, com a eleição de Bolsonaro.

Hoje, os artistas que não se posicionam em detrimento de alguma causa, seja ela qual for, não são bem vistos por seus fãs. Ficar em cima do muro gera cobranças. São criticados por pagarem de “isentões”. Alheios à realidade.

Só que, o que poucos sabem, é que algumas marcas simplesmente proíbem seus contratados de exporem seus pontos de vista. O jornalista Léo Dias teve acesso a um trecho publicado por uma produtora de conteúdo nas redes sociais:

“Durante a vigência do contrato, a contratada não poderá se pronunciar e nem se manifestar, em rede social, a respeito de qualquer ideologia e/ou posicionamento político, sob pena de rescisão imediata do presente contrato, bem como eventual aplicação de penalidades pelos prejuízos causados à imagem da contratante”. 

Mas e o livre direito de expressão? Não consta na lei? Para alguns, essa norma pode ser considerada como censura. Para as marcas, porém, serve para evitar crises de imagem, constrangimentos e, de certa forma, resguardar sua reputação.

Convenhamos: o “livre direito de expressão” é um tiro que pode sair pela culatra. Prova disso é o apresentador do Alerta Nacional, Sikêra JR. Durante um programa, Sikêra disparou falas homofóbicas contra a comunidade LGBTQIA+.

A declaração ocorreu justamente no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, em 28 de junho. Resultado: o apresentador foi alvo de uma campanha de desmonetização, encabeçada pelo Sleeping Giants Brasil.

A ação o fez perder ao menos 62 patrocínios. Entre as marcas que deixaram de investir estão a MRV, Tim, HapVida, Magazine Luiza, Nivea, Ford, Casas Bahia, Samsung, Renault, Kwai, PicPay, Mercedes Benz e Globo.

Tudo bem que certos posicionamentos mancham as imagens das marcas, mas calar a voz das celebridades, em muitos casos, é silenciar todos aqueles que não podem ser escutados Brasil afora.

Não dá para simplesmente cortar o mal pela raíz. Até porque há uma linha tênue entre “liberdade de expressão” e crime. Concorda com o nosso (não) posicionamento? Comentem aqui embaixo.

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