Por Gabriel Mansur

Duas cabeças pensam melhor que uma. A constatação é quase óbvia, mas, como ainda há pessoas que acreditam que a terra é plana, vamos a alguns exemplos para tirar quaisquer dúvidas. Seja na música, na teledramaturgia ou no esporte, “um é pouco, e dois é demais”. O ditado não é esse, mas quem liga?

Bebeto e Romário; Scottie Pippen e Michael Jordan; Chitãozinho e Xororó; Sandy e Júnior; Afinal, o que faz sucesso é DUPLA sertaneja, e não carreira solo. Tudo isso para dizer que uma nova parceria promete revolucionar o mercado: Grupo Globo & Google Cloud.

No dia 7 de abril de 2021, a Globo e o Google Cloud anunciaram uma parceria estratégica – e inédita no planeta Terra (em Júpiter parece que existe algo parecido) – com sete anos de contrato. Os valores não foram divulgados.

O acordo permitirá à emissora ter acesso a tecnologias da gigante da internet e, consequentemente, poderá mudar a forma como se produz e consome TV aberta e streaming.

É aquela velha história de sempre: quando surgiu o rádio, o jornal impresso estava com dias contados. Depois veio a televisão, e quem ficou “à perigo” foi o rádio. Aplicativos de streaming agora são as novas “ameaças” para a televisão

O que ninguém diz é que o futuro não precisa automaticamente destruir o passado. Por que, ao invés de eliminar o antigo, não renová-lo? Em outras palavras, e de forma bem resumida, é isso que traz a junção entre Globo e Google.

Antes é preciso deixar claro: não existe parceria bem-sucedida se só um ganha no fim. Bebeto era o garçom, Romário o artilheiro. Pippen dava as assistências, Jordan fazia as cestas. Sandy cantava, Júnior era o instrumentista. 

Neste caso, a Globo vai usar os serviços de armazenamento na nuvem e compartilhar competências do Google em inteligência artificial (“eu vejo gente morta”) e machine learning (aprendizado de máquinas) para modernizar suas operações.

Dessa forma, a Globo espera bater novos recordes de votação na sua plataforma online Gshow no Big Brother Brasil, um dos programas de maior audiência da televisão aberta do Brasil.

Globo e Google definiram a parceria como um acordo de “coinovação tecnológica”, em que ambas as empresas trabalharão juntas em busca de soluções inéditas no mercado.

Assim, será feita uma migração de 100% do “data center” privado da Globo para o ambiente de nuvem do Google. As plataformas digitais da Globo têm, em média, 100 milhões de usuários únicos mensais, com 110 milhões de Globo ID (cadastros individuais de usuários e assinantes dos produtos digitais).

Além do manejo dessa base de dados, o Google Cloud permite maior robustez dos servidores digitais de produtos, caso do Globoplay, o serviço de streaming da Globo, G1, ge, Gshow e tantos outros.

“O anúncio vai ao encontro da recente transformação digital da Globo, sua reestruturação com foco em entregas direct-to-consumer e sua jornada para tornar-se uma empresa mediatech“, disse a Globo em comunicado. 

Ou seja, capaz de não só produzir, mas também “empacotar”, distribuir e monetizar o conteúdo, qualquer que seja o dispositivo onde será visto.

Além da otimização do custo, a troca entre as empresas tem por objetivo encontrar novos modelos e oportunidades de negócio, em qualidade de produto e publicidade. O primeiro passo foi dado com o Globoplay, que foi integrado ao sistema Android TV, do Google, de forma nativa. 

Para Eduardo Lopez, presidente do Google Cloud na América Latina, o acordo com a Globo une o que há de melhor em processamento, capacidade, flexibilidade e segurança digital para entender os espectadores.

“Podemos entender como fazer ofertas e como estar perto do espectador, usando a tecnologia em missões críticas. Com novos projetos, podemos modernizar empresas de mídia e ajudar na transformação digital”, afirmou o executivo.

“Uma mão lava a outra”

Uma das grandes reclamações dos mais de 30 milhões de assinantes do Globoplay é justamente a parte tecnológica do aplicativo, já que travamentos e quedas são comuns. 

A migração para o Google Cloud deve não apenas resolver essa situação, como também melhorar ainda mais a plataforma.

Só que, como supracitado, “uma mão precisa lavar a outra”. Atualmente, a nuvem do Google ainda está atrás, em termos de mercado, da Amazon e da Microsoft .

Gigantes como Prime Video, Disney+ e Netflix estão hospedadas no Amazon Web Services. Atuar junto ao Globoplay é uma oportunidade para o Google entrar de vez  no serviço de streaming e competir com a Amazon

O primeiro projeto de colaboração entre as empresas já está acontecendo: o Globoplay ganhará uma integração customizada com o Android TV, sistema operacional do Google para televisões.

Mudança no mundo dos anúncios

Ao anunciar a novidade, a Globo disse que a tecnologia do Google pode melhorar as recomendações aos usuários. A parceria, porém, pode ir muito além, levando os anúncios digitais  para a televisão.

Jorge Nóbrega, CEO da Globo, disse que é hora de “começar a pensar a TV como um grande meio de comunicação, trazendo todas as métricas e modelos de negócios típicos da publicidade digital para abrir a TV”.

Se hoje empresas anunciam em um programa como o BBB, por exemplo, para aparecer em milhões de casas no país, no futuro pode ser que várias outras companhias anunciem para pequenos nichos, já que a publicidade na TV poderá ser direcionada.

Isso pode significar uma verdadeira revolução nos anúncios no mercado de entretenimento. Na contramão, o Google ganharia com o acesso a dados de comportamento de milhões de pessoas. 

A roda, o fogo ou a parceria exclusiva entre a Globo e o Google? Só o tempo irá dizer qual dessas “invenções” será mais proveitosa para a humanidade.

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