Por Gabriel Mansur

A segunda-feira passada começou agitada no mundo do futebol – e da publicidade. Num gesto de Cristiano Ronaldo, atualmente a pessoa mais influente do planeta, com seus modestos 300 milhões de seguidores no Instagram, a Coca-Cola perdeu bilhões em valor de mercado

Né? A despeito da imprensa, a história não é bem assim.

Se você por acaso estava numa viagem espacial nos últimos sete dias e não sabe do que se trata, aqui um breve resumo: numa entrevista coletiva da Seleção Portuguesa pela Eurocopa, o “Robozão” retirou duas garrafas de Coca-Cola mantidas à sua frente para defender o consumo de água.

Após empurrar as duas garrafinhas da Coca-Cola – patrocinadora do torneio europeu e sexta marca mais valiosa do mundo – para o lado da mesa da coletiva, CR7 segurou uma garrafa de água e gritou em português: “Água!”

Meia hora após o fim da coletiva do “gajo”, as ações da empresa caíram 1,6%, chegando ao valor mínimo de US$55,22 (aproximadamente R$ 280 bilhões). Ou seja: uma espécie de Toque de Midas, só que ao inverso. 

Toque de Midas é uma expressão usada para se referir a uma pessoa capaz de multiplicar investimentos ou fazer prosperar seus negócios. Saiba mais no final do blog.

O que a maioria dos jornalistas não apurou é que as ações da Coca-Cola já estavam em queda antes mesmo do pronunciamento do maior artilheiro da Liga dos Campeões e da Eurocopa. Essa informação não é nossa, mas sim do jornalista esportivo de finanças Brendan Coffey.

As ações da Coca-Cola são negociadas em Nova York, onde a bolsa abre às 9h30, horário local. A coletiva de imprensa de Ronaldo começou às 15h45, horário da Europa Central, que é 9h45 em Nova York.

Se a coletiva de imprensa de Ronaldo realmente começou neste horário (e a UEFA confirmou que sim por duas vezes), então o fato de ele ter rejeitado a bebida que enriqueceu Ty Cobb deveria estar prontamente aparente em seu gráfico de ações.

Segundo o artigo publicado no “Sportrico, the business of sports”, o problema para a história do todo-poderoso Cristiano Ronaldo é que a Coca (o refrigerante de Cola, que fique claro) já havia caído 0,9% entre 9h30 e 9h44, de acordo com os gráficos do comércio.

A Coca fechou as negociações de sexta-feira a US$55,74 bilhões e abriu em baixa na segunda-feira. Às 9h44, as ações do refrigerante haviam caído para US$54,25 bilhões, uma perda de US$2,1 bilhões em seu valor de mercado – antes mesmo de Ronaldo perceber a bebida açucarada.

Ou seja, a Coca na verdade negociou em alta após o início do evento para a imprensa (talvez por que Ronaldo tocou nas garrafas?!), caindo para US$55,21 cinco minutos depois e não atingindo sua mínima no dia de US$55,20 até 10h20.

Então, por que todo mundo acha que Papai Cris foi o responsável pela mudança no mercado? É uma história que chama atenção, e há poucas dúvidas de que os produtos de consumo se beneficiam de endossos de alto perfil.

Ou talvez seja por que as cotações das ações são normalmente transmitidas com um atraso de 20 minutos para os principais sites de notícias, visto que as bolsas cobram pela entrega de preços imediatos, e a maioria da imprensa opta por não pagar. 

Isso significa que qualquer pessoa olhando para o preço da Coca após o gesto do pai do Robozinho com o refrigerante pensaria que é uma queda imediata no preço da bebida, quando na verdade aconteceu muito antes.

Nosso papel é repassar a mensagem corretamente, então não culpem o mensageiro. Não queremos desmerecer a influência de CR7, até porque o homem é um operário do entretenimento. A atitude repercutiu entre jogadores, treinadores e fãs do futebol mundo afora. 

De um lado, uma máquina de quebrar recordes e maior influenciador do planeta. Do outro lado, uma gigante da indústria de bebidas, fundada em 1886 e que está entre as 10 mais valiosas do mundo. 

Quem ganha essa quebra de braço? Spoiler: não é um duelo. Cristiano Ronaldo trata seu corpo como monumento. Já falou que não gosta quando Cristianinho bebe coca-cola enquanto come batata frita. E está tudo bem. 

Assim como os descendentes de John Pemberton podem preferir o Messi. A vida continua, principalmente na classe operária. É como diz o ditado adaptado: eles que são multimilionários que se entendam!

Entenda o conceito “Toque de Midas”

A história do rei Midas é um mito sobre a tragédia da avareza, e narra o que acontece quando a verdadeira felicidade não é reconhecida. Midas foi um homem que desejou que tudo que ele tocasse virasse ouro. Mesmo sendo rico, Midas pensava que a verdadeira felicidade era fornecida pelo ouro. 

A avareza do rei era tanta que ele costumava passar seus dias contando suas moedas de ouro. Ocasionalmente, ele cobria seu corpo com objetos de ouro como se quisesse se banhar com eles. O dinheiro era sua obsessão. Um dia, Dionísio, o deus do vinho e das comemorações, passou pelo reino de Midas e prometeu realizar qualquer desejo seu.

Midas pensou por um momento e disse: “eu desejo que tudo que eu tocar se torne ouro!” Dionísio advertiu o rei que pensasse bem sobre seu desejo, mas ele estava bem satisfeito com ele. Dionísio não pôde fazer mais nada e prometeu ao rei que daquele dia em diante tudo que ele tocasse viraria ouro.

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