Por Gabriel Mansur

Em junho de 2019, o STF decidiu pela criminalização da homofobia e da transfobia. O contexto atesta a necessidade: o Brasil é o país que mais mata transexuais há pelo menos 12 anos.

Foi definido, inclusive, que quem discriminasse ou ofendesse pessoas LGBTQIA +, a partir de então, seria enquadrado na mesma Lei do Racismo, com pena de um a três anos de prisão. O crime é inafiançável e imprescritível.

Vamos esclarecer alguns pontos: a lei Caó, que combate o racismo, foi assinada há mais de 30 anos, no dia 5 de janeiro de 1989, pelo então presidente da república, José Sarney.

Naquela época, discriminar as pessoas por causa da cor da pele era socialmente aceito e, aos olhos da Justiça, apenas uma contravenção penal. Três décadas depois, o racismo não acabou, mas hoje ocorre de forma mais velada.

O cenário é diferente da homofobia, que acontece com mais frequência. Até porque a criminalização ocorreu recentemente, mas por razões semelhantes: a discriminação das pessoas por causa da orientação sexual era socialmente aceito.

Só que a “brincadeira sem maldade” e que virou piada nas escolas, faculdades e mesas de bar, se proliferam de forma mais violenta nas ruas. O Brasil registrou 237 mortes violentas de LGBTI em 2020.

“Mas por que tocar no assunto?”, você pergunta. Um: é necessário. Dois: nas últimas semanas, o atleta Maurício Souza repercutiu negativamente por conta de declarações homofóbicas.

Para quem não sabe, Maurício é campeão olímpico de vôlei e jogador do Fiat/Gerdau/Minas. Só para ficar claro que não estamos falando do cartunista e criador da Turma da Mônica.

Ele criticou o anúncio da DC Comic sobre o novo Super-Homem, filho de Clark Kent, que se descobrirá bissexual nas próximas edições das histórias em quadrinhos.

Sua declaração, vista como homofóbica, revoltou as pessoas, inclusive seu companheiro de seleção brasileira, Douglas Souza, primeiro jogador de vôlei a assumir-se gay.

Os torcedores, então, cobraram ações tanto da equipe que o central defende quanto dos principais patrocinadores da instituição, a Fiat e a Gerdau.

Mais que isso: uma torcida organizada prometeu ignorar o atleta nas redes sociais, jogos e manifestações: “Quando um torcedor é discriminado, para nós, é como se todos fossem”, protestaram.

As empresas imediatamente pediram, em notas separadas, “medidas cabíveis” ao clube mineiro e repudiaram as declarações homofóbicas do atleta.

Posicionamento da Gerdau:

“A Gerdau repudia qualquer tipo de manifestação de cunho preceituoso ou homofóbico. Sobre as declarações do atleta Maurício Souza, a empresa já pediu a posição oficial do clube sobre as tratativas necessárias ao caso para adotar as medidas cabíveis, o mais breve possível”.

Posicionamento da Fiat:

“Em relação às recentes declarações do jogador Maurício Souza, da equipe de vôlei Fiat/Minas/Gerdau, a Fiat declara repúdio a toda e qualquer expressão de cunho homofóbico, considerando inaceitáveis as manifestações movidas por preconceito, ímpeto desrespeitoso ou excludente”.

Tanto a Fiat quanto a Gerdau deixaram claro que os posicionamentos das empresas são inegociáveis diante do respeito à diversidade e à inclusão.

No primeiro momento, o clube afirmou que respeita a opinião de cada atleta, mas, após reunião da diretoria, resolveu afastar e multar Maurício, que precisou se retratar publicamente.

Só que o atleta utilizou uma rede social diferente, e com menos seguidores, para fazer tal retratação. A pressão ficou insustentável, até que o Minas rescindiu seu contrato.

O técnico da seleção brasileira de vôlei, Renan Dal Zotto, também fechou as portas do time canarinho para Maurício: “Não tem espaço para profissionais homofóbicos na Seleção”, disse.

Moral da história? Não há mais espaço para nenhum tipo de discriminação, seja ela qual for, nos dias atuais. O preconceito é a doença, mas a informação é a vacina. E adivinha??? A vacina está no grau, mami!!!