Por Gabriel Mansur

Embora o suicídio seja um assunto delicado, tanto que os portais de notíciais mais sérios costumam não noticiar os casos, ele não pode se tornar um tabu. É preciso falar e acolher para conseguir prevenir.

Por que? Segundo a Organização Mundial de Saúde, a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio em algum lugar do planeta.

Ou seja: em um ano, mais de 800 mil tiram a própria vida, sendo 75% destes indivíduos moradores de países de baixa e média renda. Todos os dias, pelo menos 32 brasileiros morrem dessa forma.

Dados levantados pela OMS em 2016 também apontam que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos. E uma coisa que temos a dizer é: a depressão é uma doença, não frescura.

Todos esses números poderiam ser evitados ou reduzidos consideravelmente se existissem políticas eficazes de prevenção do suicídio.

Diante desse cenário, fica clara a necessidade de dar mais atenção ao tema, com campanhas de conscientização e debates que possibilitem a quebra do tabu sobre o problema. E é essa a proposta do Setembro Amarelo.

Como surgiu?

Em setembro de 1994, nos Estados Unidos, o jovem Mike Emme, de apenas 17 anos, cometeu suicídio.

Ele tinha um Mustang 68 amarelo e, no dia do seu velório, seus pais e amigos decidiram distribuir cartões amarrados em fitas amarelas com frases de apoio para pessoas que pudessem estar enfrentando problemas emocionais.

A ideia acabou desencadeando um movimento de prevenção ao suicídio e até hoje o símbolo da campanha é essa mesma fita amarela.

A campanha teve início no Brasil, em 2015, através do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

As primeiras atividades realizadas pelo Setembro Amarelo aconteceram na capital do país, Brasília. Entretanto, já no ano seguinte, várias regiões de todo o país aderiram ao movimento e também participaram.

A Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) estimula a divulgação da causa em todo o mundo no dia 10 de setembro, data na qual é comemorado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Esta data foi criada em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial de Saúde, com o objetivo de prevenir o ato do suicídio.

Neste dia, por meio da adoção de estratégias pelos governos dos países,  são realizadas cerca de 600 atividades em 70 países do mundo para salvar vidas.

Os objetivos do Setembro Amarelo

O principal objetivo do Setembro Amarelo é a conscientização sobre a prevenção do suicídio, buscando alertar a população a respeito da realidade da prática no Brasil e no mundo.

Para a campanha, a melhor forma de se evitar um suicídio é através de diálogos e discussões que abordem o problema.

Durante todo o mês de setembro, ações são realizadas a fim de sensibilizar a população e os profissionais da área para os sintomas desse problema e para a saúde mental.

Assim, fazendo-os entender que isso também é uma questão de saúde pública. Infelizmente, para muitos, o suicídio ainda não é visto como um problema de saúde pública, mas sim uma espécie de fraqueza de conduta ou personalidade.

Suicídio na pandemia

O suicídio pode ter diversas causas, as mais comuns estão associadas a transtornos psicológicos. E a saúde mental é um tema que merece ainda mais atenção no contexto do isolamento social exigido pelo novo coronavírus.

“A quarta onda”. É assim que especialistas têm definido as sequelas emocionais que serão deixadas pela pandemia do novo coronavírus.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria, com cerca de 400 médicos de 23 estados e do Distrito Federal, revelou que 89,2% dos entrevistados tiveram pacientes com quadros psiquiátricos agravados por causa da pandemia.

Como se não bastasse a piora de quem já enfrentava algum tipo de transtorno, o levantamento também aponta que 67,8% dos especialistas receberam pacientes novos, após o início da quarentena, que nunca haviam apresentado sintomas psiquiátricos anteriormente.

O que leva a comportamentos suicidas?

Detectar o potencial de comportamentos suicidas é muito importante para a prevenção. Não é que haja uma razão específica, mas podem ser causados por situações que as pessoas encaram como devastadoras.

  • Depressão ou transtorno bipolar;
  • morte de uma pessoa querida;
  • trauma emocional;
  • desemprego ou problemas financeiros;
  • algum membro da família que cometeu suicídio;
  • histórico de negligência ou abuso na infância
  • não aceitação do envelhecimento;
  • término de relacionamentos;
  • não aceitação da orientação sexual ou identidade de gênero;
  • dependência de drogas ou álcool.
Como ajudar?

Para ajudar uma pessoa com comportamentos suicidas, algumas ações são fundamentais. Primeiramente, assim como qualquer doença fisiológica, é necessário identificar os distúrbios psicológicos o quanto antes.

Se for com você, tente perceber os sintomas e procure ajuda o quanto antes. Nada mais recomendado que terapia. Para ajudar o outro, basta um pouco de empatia e fazer o que estiver ao seu alcance.

  • ouvir, demonstrar empatia e ficar calmo;
  • ser afetuoso e dar o apoio necessário;
  • levar a situação a sério e verificar o grau de risco;
  • perguntar sobre tentativas de suicídio ou pensamentos anteriores;
  • explorar outras saídas para além do suicídio, identificando outras formas de apoio emocional;
  • conversar com a família e amigos imediatamente;
  • remover os meios para o suicídio em casos de grande risco;
  • contar a outras pessoas, conseguir ajuda;
  • permanecer ao lado da pessoa com o transtorno;
  • procurar entender os sentimentos da pessoa sem diminuir a importância deles;
  • aceitar a queixa da pessoa e ter respeito por seu sofrimento;
  • demonstrar preocupação e cuidado constante.

A maioria das mortes por suicídios pode ser evitada, e o diálogo sobre o assunto é a melhor solução encontrada. Se você ou alguém que conhece possui pensamentos suicidas, peça ajuda.

Por fim, vale a ressalva da importância da terapia nesse momento delicado.

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